MASTURBAÇÃO EVANGÉLICA: QUANDO O CULTO VIRA APENAS UMA EXPERIÊNCIA PARA SATISFAZER O EU
MASTURBAÇÃO EVANGÉLICA: QUANDO O CULTO VIRA APENAS UMA EXPERIÊNCIA PARA SATISFAZER O EU
Gostaria de convidar você amigo leitor a abrir seu coração e deixar o Espírito Santo transformar o seu entendimento.
Estamos diante de uma geração que aprendeu a se relacionar com Deus não para ser transformada, mas para ser satisfeita. Uma geração que não pergunta: “Senhor, o que queres de mim?”, mas: “Senhor, o que podes me proporcionar?”
O culto deixou de ser lugar de entrega e, para muitos, tornou-se um ambiente de consumo emocional. A pessoa entra buscando sentir alguma coisa, arrepiar-se, chorar, receber uma palavra, experimentar uma atmosfera, sair aliviada — mas sem necessariamente estar disposta a morrer para si mesma.
É aqui que surge uma expressão dura, mas necessária: MASTURBAÇÃO EVANGÉLICA.
Talvez para muitos essa palavra parece ser profana e pesada, mas quando você terminar a leitura desse texto você verá que é dura mas necessária.
Não estamos falando do ato sexual, mas de uma metáfora espiritual: uma fé que busca o prazer da experiência religiosa sem assumir o compromisso da transformação. É quando alguém aprende a estimular continuamente as próprias emoções dentro do ambiente espiritual, mas permanece intocável no caráter, na obediência e na vida diária.
Queremos a presença, mas não queremos a renúncia.
Queremos a unção, mas não queremos a cruz.
Queremos o fogo, mas não queremos o altar.
Queremos a promessa, mas não queremos o processo.
Queremos a bênção, mas não queremos a obediência.
Queremos sentir Deus, mas não queremos ser confrontados por Deus.
Existe uma diferença entre ser tocado por Deus e simplesmente procurar uma sensação espiritual.
A emoção pode encher uma sala e ainda assim não transformar um coração. Podemos levantar as mãos e continuar presos ao orgulho. Podemos chorar durante o louvor e continuar alimentando ressentimentos. Podemos falar em línguas e continuar vivendo em desobediência. Podemos cair de joelhos no culto e permanecer de pé contra a vontade de Deus durante toda a semana.
O verdadeiro encontro com Deus não termina na sensação; começa na transformação.
Isaías viu a glória do Senhor, mas depois ouviu: “A quem enviarei?” (Isaías 6:8).
Pedro contemplou a manifestação de Cristo, mas depois recebeu uma missão.
Paulo encontrou Cristo no caminho de Damasco, mas sua experiência não terminou em êxtase; terminou em uma pergunta: “Senhor, que queres que eu faça?” (Atos 9:6).
Esse é o problema de uma espiritualidade centrada no prazer: ela transforma Deus em instrumento para satisfazer o homem.
O culto passa a existir para que eu me sinta bem.
A oração passa a existir para que eu consiga o que quero.
A profecia passa a existir para confirmar meus desejos.
A adoração passa a existir para produzir sensações.
A igreja passa a existir para atender minhas necessidades.
E, silenciosamente, o homem que deveria estar adorando a Deus começa a adorar a experiência que Deus proporciona.
Isso é idolatria com linguagem evangélica.
Jesus não chamou discípulos para uma vida de satisfação permanente; chamou homens para negarem a si mesmos, tomarem a cruz e segui-lo (Lucas 9:23).
O evangelho não existe para massagear o ego. O evangelho crucifica o ego.
A cruz não foi construída para nos proporcionar conforto psicológico; foi levantada para nos confrontar com a gravidade do pecado, a santidade de Deus e o preço da redenção.
Por isso, precisamos perguntar: quando você vai ao culto, você procura Deus ou procura aquilo que Deus pode fazer você sentir?
Você adora porque Ele é digno ou porque precisa de uma descarga emocional?
Você busca a presença porque deseja obedecer ou porque precisa aliviar a consciência?
Você quer conhecer o Deus da Palavra ou apenas experimentar o Deus da sensação?
Cuidado com uma fé que só funciona quando você sente alguma coisa.
Porque haverá dias em que você não sentirá nada. Haverá orações sem lágrimas. Haverá cultos sem arrepio. Haverá períodos em que o céu parecerá silencioso. E nesses dias será revelado se você ama verdadeiramente a Deus ou apenas ama aquilo que sente quando está diante dEle.
A maturidade espiritual começa quando conseguimos permanecer fiéis mesmo quando a emoção desaparece.
O verdadeiro adorador não diz: “Eu adoro porque estou sentindo.” Ele diz: “Eu adoro porque Ele é digno.”
Chega de transformar o altar em uma máquina de produzir sensações.
Chega de confundir arrepio com avivamento, lágrimas com arrependimento, barulho com poder e experiência com maturidade.
Avivamento não é uma multidão tendo uma experiência intensa durante algumas horas; é uma geração sendo confrontada pela santidade de Deus e transformada na vida cotidiana.
A pergunta não é apenas: “O que você sentiu no culto?”
A pergunta é: “O que mudou em você depois que o culto terminou?”
Porque se você entra no templo cheio de prazer espiritual e sai exatamente com os mesmos pecados, os mesmos vícios, a mesma arrogância, a mesma falta de perdão, a mesma desobediência e a mesma ausência de compromisso, talvez você tenha experimentado uma emoção — mas ainda não compreendeu o propósito do encontro com Deus.
O culto verdadeiro não termina quando a música acaba.
Ele continua quando você perdoa.
Continua quando você obedece.
Continua quando você renuncia.
Continua quando você ama quem não pode lhe beneficiar.
Continua quando você permanece santo longe dos olhos da igreja.
Continua quando ninguém está aplaudindo.
Deus não está procurando consumidores de culto. Está formando discípulos.
Não fomos chamados para viver procurando continuamente aquilo que Deus pode nos fazer sentir. Fomos chamados para conhecer Cristo, morrer para nós mesmos e viver para a glória dEle.
Que Deus nos livre de uma espiritualidade que busca o prazer da presença sem o peso da responsabilidade.
Que Ele nos livre de uma geração que quer o fogo do altar, mas não quer ser consumida por ele.
Que Ele nos livre de uma igreja viciada em sensações, mas resistente à santificação.
E que o Espírito Santo volte a nos conduzir ao lugar onde o culto deixa de ser sobre nós e volta a ser sobre ELE.
Porque o verdadeiro avivamento não acontece quando o homem consegue sentir mais de Deus.
Acontece quando Deus começa a possuir mais do homem.
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.” — Gálatas 2:20
MENOS PRAZER RELIGIOSO.
MAIS CRUZ.
MENOS CONSUMO ESPIRITUAL.
MAIS ENTREGA.
MENOS EU.
MAIS CRISTO.
Fabio Macedo
#DESCONSTRUINDO A RELIGIOSIDADE E ESTABELECENDO O REINO DE DEUS.
Comentários
Postar um comentário