A MAIOR CRISE DA MÚSICA GOSPEL NÃO ESTÁ NO RITMO, MAS NO EVANGELHO QUE ELA ANUNCIA
A MAIOR CRISE DA MÚSICA GOSPEL NÃO ESTÁ NO RITMO, MAS NO EVANGELHO QUE ELA ANUNCIA
Há muitos debates sobre a música gospel. Discute-se o estilo musical, os instrumentos, a iluminação, a estética do palco e a aparência dos ministros. Embora esses assuntos tenham seu lugar, existe uma questão muito mais profunda que, muitas vezes, permanece intocada, o conteúdo da adoração e o evangelho que ela comunica. A maior tragédia da música cristã contemporânea não é simplesmente a influência da cultura. É quando Cristo deixa de ser o centro e o homem assume o protagonismo.
Basta observar inúmeras canções atuais. O foco já não está na majestade de Deus, na santidade do Senhor, na cruz, no arrependimento ou na glória de Cristo. Em vez disso, a mensagem gira constantemente em torno do "eu", "meu", "mim", "minha vitória", "meu propósito", "meu sonho", "minha conquista". O homem passa a ocupar o lugar que pertence exclusivamente ao Senhor.
Isso revela algo preocupante, o humanismo tem entrado na adoração com uma aparência cristã. A linguagem é evangélica, mas, em muitos casos, a essência é antropocêntrica. Deus deixa de ser o fim da adoração e passa a ser apresentado apenas como um meio para satisfazer os desejos humanos.
Ao mesmo tempo, vemos muitos ambientes de culto sendo moldados segundo a lógica do entretenimento. A preocupação deixa de ser conduzir a igreja à reverência diante da santidade de Deus e passa a ser criar experiências cada vez mais impactantes para prender a atenção das pessoas.
Não é a iluminação, a tecnologia ou os recursos audiovisuais que profanam um culto. O verdadeiro perigo é quando a presença de Deus é substituída pela produção de emoções.
Vivemos uma geração que, muitas vezes, confunde lágrimas com arrependimento, arrepio com unção, euforia com quebrantamento e intensidade emocional com a manifestação do Espírito Santo.
Contudo, o Espírito Santo não veio para provocar apenas sensações; Ele veio para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo, conformando a Igreja à imagem de Cristo.
Enquanto isso, muitos escolhem batalhas secundárias. Criticam uma frase isolada de uma música, mas ignoram álbuns inteiros que colocam o homem no centro da mensagem. Combatem detalhes, mas permanecem indiferentes diante de um evangelho diluído, onde a glória de Deus é substituída pela exaltação da autoestima humana.
Esse tipo de zelo é perigoso. Nem todo zelo nasce da verdade. Há um zelo que procede da carne, alimentado pelo orgulho, pela necessidade de estar certo e pelo desejo de vencer discussões. O verdadeiro zelo bíblico nasce do temor do Senhor e da submissão absoluta às Escrituras.
Talvez o aspecto mais triste dessa realidade seja o testemunho que oferecemos ao mundo. Muitos rejeitam o Evangelho não porque conheçam verdadeiramente a Cristo, mas porque enxergam uma igreja cada vez mais parecida com a cultura que deveria confrontar. Quando a adoração perde sua profundidade, a mensagem perde sua autoridade.
A Igreja não foi chamada para entreter multidões, mas para anunciar Cristo crucificado. Não foi chamada para produzir celebridades, mas discípulos. Não foi chamada para satisfazer consumidores religiosos, mas para formar adoradores que adorem o Pai em espírito e em verdade. A pergunta que precisa ecoar em nossos púlpitos, ministérios de louvor e corações é simples, mas profundamente séria. Nossas canções exaltam verdadeiramente a Cristo ou apenas fazem o homem sentir-se melhor consigo mesmo?
Se a resposta revelar que o homem ocupa o centro, então não precisamos apenas de novas músicas. Precisamos de arrependimento.
Porque a verdadeira adoração não é aquela que emociona multidões, mas aquela que glorifica exclusivamente o Cordeiro de Deus. Quando Cristo volta a ocupar o centro da adoração, toda idolatria perde sua força, o ego é crucificado e somente o nome de Jesus permanece exaltado.
Fabio Macedo
#DESCONSTRUINDO A RELIGIOSIDADE E ESTABELECENDO O REINO DE DEUS.
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