DISCERNINDO AS ALIANÇAS, PARA NÃO VIVER UMA ILUSÃO
Pior que a ilusão é você viver princípios da lei, anular a graça e no final da carreira ser condenado por não cumprir toda a lei, Gl.3:10 e Tg.2:10.
Existe uma tendência perigosa dentro do meio cristão: usar promessas do Antigo Testamento como se fossem garantias universais e automáticas para a vida na Nova Aliança. Muitos se agarram a textos de prosperidade, vitórias terrenas e bênçãos materiais como se fossem cláusulas contratuais para qualquer crente fiel. Porém, isso revela uma incompreensão profunda das Escrituras e das alianças estabelecidas por Deus ao longo da história.
No Antigo Testamento, especialmente na aliança com Israel, havia uma relação direta entre obediência e prosperidade material. Isso está claramente estabelecido em textos como Deuteronômio 28, onde Deus promete bênçãos na terra, colheitas abundantes, vitória sobre inimigos e prosperidade nacional, tudo condicionado à obediência do povo. Era uma aliança terrena, coletiva e ligada à terra prometida.
Mas na Nova Aliança, tudo mudou. Em Jesus Cristo, o foco deixa de ser terreno e passa a ser eterno. A promessa central não é prosperidade material, mas reconciliação com Deus, transformação interior e vida eterna. Como está escrito: “Bendito o Deus e Pai… que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo” (Efésios 1:3). A ênfase agora é espiritual, não material. Se for olhar para as escrituras como os cristãos do ocidente olham, então os cristãos orientais estão amaldiçoados, e desobedientes, porque basta você dar uma olhada na janela 10 por 40. Eu amo e leio toda a bíblia estudo as duas alianças, mas não vejo promessa na antiga aliança que caiba em minha vida a não ser a vinda do meu Salvador, pois minha base e fundamento de fé não são as promessas feitas a Israel, mas as novas promessas feitas por Jesus a mim.
Jesus nunca prometeu uma vida sem dificuldades. Pelo contrário, Ele declarou de forma clara: “No mundo tereis aflições; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16:33). Ele também afirmou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mateus 16:24). Isso não é um convite ao conforto, mas à renúncia. Com isso não estou dizendo que sou sadomasoquista religioso, que
é preciso viver no sofrimento, estou apenas ratificando as palavras de jesus que ainda que não venhamos a ter a tão sonhada vida confortável aqui, já temos a certeza de uma eternidade de conforto.
Os próprios apóstolos são a prova viva de que obediência não garante sucesso terreno. O apóstolo Paulo declarou: “Em tudo somos atribulados… perseguidos… abatidos” (2 Coríntios 4:8-9). E ainda: “Até a presente hora sofremos fome, sede… somos maltratados… feitos como lixo do mundo” (1 Coríntios 4:11-13). Mesmo assim, ele permanecia fiel. Isso não era um fracasso, era fidelidade ao Evangelho.
A tentativa de muitos cristãos de se apegar às promessas do Antigo Testamento para garantir prosperidade hoje é, na prática, uma fuga da realidade da cruz. Paulo confronta isso ao dizer: “Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2 Timóteo 3:12). Isso destrói a ideia de um evangelho baseado apenas em vitórias visíveis.
Além disso, o autor de Hebreus deixa claro que os heróis da fé não viveram uma vida de conforto: “Foram apedrejados, serrados ao meio, mortos ao fio da espada… necessitados, aflitos e maltratados” (Hebreus 11:37). E conclui dizendo que o mundo não era digno deles. Esse é o padrão da fé bíblica, não o triunfalismo terreno. O triunfalismo temporal não é uma proposta de Jesus, mas de Mamom, Mt.4.
Se agarrar ao Antigo Testamento para buscar garantias de prosperidade é ignorar que a Nova Aliança foi estabelecida sobre promessas superiores (Hebreus 8:6), mas não centradas em bens terrenos, e sim em uma realidade eterna. Além de anular o sacrifício de Jesus.
Na Nova Aliança, a maior promessa não é “tudo vai dar certo”, mas “Eu estarei com você”. Como Jesus declarou: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28:20).
O verdadeiro sucesso do cristão não é medido por conquistas externas, mas por fidelidade, transformação e intimidade com Deus. Porque “o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:17).
Portanto, fé não é confiar que tudo dará certo segundo os padrões humanos, é confiar que, mesmo quando tudo parece dar errado, Deus continua sendo suficiente. Fé é ter a plena convicção de que a graça do Pai nos basta.
Fabio Macedo
#DESCONSTRUINDO A RELIGIOSIDADE E ESTABELECENDO O REINO DE DEUS.
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