O EVANGELHO COMEÇA ONDE O CULTO AO "EU" TERMINA
O EVANGELHO COMEÇA ONDE O CULTO AO "EU" TERMINA
Existe um espírito que domina esta geração. Ele não exige templos, sacerdotes ou imagens de escultura. Seu altar foi erguido dentro do coração humano, e seu nome é "EU". O homem moderno tornou-se o centro da própria existência. Tudo precisa girar em torno de sua felicidade, de seus desejos, de sua realização e de sua satisfação. O "eu" tornou-se o novo deus da cultura.
É nesse cenário que a Igreja precisa despertar. Nem tudo o que parece saudável espiritualmente conduz à cruz. Nem toda linguagem sobre cura, crescimento e bem-estar está alinhada com o evangelho de Cristo. Há ideias que podem ser úteis para compreender a mente e o comportamento humano, mas se tornam perigosas quando substituem a centralidade de Cristo pela centralidade do homem.
A psicologia pode oferecer ferramentas importantes para compreender emoções, traumas e comportamentos. Em muitos contextos ela é um recurso valioso. Contudo, quando qualquer filosofia passa a ensinar que o homem encontra sua plenitude apenas voltando-se para si mesmo, ela entra em choque com a mensagem da cruz. O evangelho não aponta o homem para dentro de si como resposta final; ele aponta o homem para Cristo.
Jesus nunca disse: "Encontre a si mesmo." Ele disse: "Negue-se a si mesmo" (Mateus 16:24). Nunca ensinou: "Proteja o seu ego." Ele ensinou: "Quem perder a sua vida por minha causa a encontrará" (Mateus 16:25). Nunca prometeu fortalecer a velha natureza; veio para que ela fosse crucificada. "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gálatas 2:20).
O problema da humanidade nunca foi simplesmente a falta de autoestima. O problema sempre foi o pecado. Desde o Éden, o homem deseja ocupar o lugar de Deus. A serpente não ofereceu apenas conhecimento; ofereceu autonomia: "Sereis como Deus" (Gênesis 3:5). Desde então, toda geração luta contra essa mesma tentação: viver sem depender totalmente do Senhor.
Uma igreja dominada pelo culto ao "eu" já não suporta mensagens sobre arrependimento, renúncia, santidade e morte para o pecado. Prefere discursos que alimentam a autoestima, mas rejeita a cruz que mortifica a carne. Quer consolo sem confronto, promessa sem transformação, bênção sem obediência e Cristo sem crucificação.
A cruz não é um símbolo decorativo; é uma sentença de morte contra o orgulho, a vaidade, a autossuficiência e a idolatria do coração. O evangelho não foi dado para fazer o homem sentir-se maior; foi dado para fazê-lo prostrar-se diante da majestade de Deus. Quanto maior Cristo se torna, menor o ego precisa ser. Como declarou João Batista: "É necessário que Ele cresça e que eu diminua" (João 3:30).
O maior engano desta geração talvez não seja negar a existência de Deus, mas tentar transformar Deus em um instrumento para promover o próprio "eu". Quando Cristo deixa de ser o Senhor e passa a ser apenas um meio para realizar sonhos pessoais, a fé foi substituída pela idolatria.
A Igreja precisa voltar ao escândalo da cruz. Precisa voltar à mensagem que confronta o pecado, chama ao arrependimento e anuncia uma nova vida em Cristo. O mundo já possui inúmeras vozes dizendo ao homem para acreditar mais em si mesmo. O que falta são vozes que anunciem, com amor e verdade, que somente Cristo pode salvar, transformar e reconciliar o homem com Deus.
O evangelho não existe para alimentar o ego, mas para destronar o ego. Não existe para coroar o velho homem, mas para sepultá-lo com Cristo e fazê-lo ressuscitar em novidade de vida. Toda mensagem que coloca o homem no centro enfraquece a glória de Deus. Toda mensagem que coloca Cristo no centro transforma pecadores em discípulos.
A pergunta que permanece ecoando é esta: quem está sentado no trono do seu coração? Cristo... ou o seu "eu"? Porque onde o ego reina, a cruz é rejeitada. Mas onde a cruz é abraçada, Cristo reina soberanamente.
Fabio Macedo
#DESCONSTRUINDO A RELIGIOSIDADE E ESTABELECENDO O REINO DE DEUS.
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